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CURSO ‘FÉ E DEMOCRACIA’ DO PT TROPEÇA AO IGNORAR A VIVÊNCIA REAL DA FÉ EVANGÉLICA

O Partido dos Trabalhadores, por meio da Fundação Perseu Abramo, lançou recentemente o curso “Fé e Democracia” com objetivo declarado de qualificar o diálogo entre petistas e fiéis evangélicos. Contudo, a iniciativa vem sendo considerada por muitos como um verdadeiro “tiro no pé”, especialmente por ignorar valores e linguagem próprios da fé cristã. Uma crítica incisiva da Gazeta do Povo chegou a chamar a estratégia de “desastrosa”, apontando professores que, segundo a matéria, defendem teses sobre “Jesus teria traído Judas” ou sugerem que evangélicos devem “pedir perdão a Lula”, discursos que colidem frontalmente com a sensibilidade religiosa do público-alvo.

Mais ainda, o curso parece ter fracassado no essencial: atrair interessados. Seu vídeo institucional nas redes sociais teve desempenho pífio, com apenas 6,7 mil visualizações no Instagram e menos de 500 no YouTube, para um canal com centenas de milhares de seguidores, um tombo estratégico duro de justificar  . A baixa adesão, meros 775 inscritos, reforça que a mensagem não apenas falhou em mobilizar, mas também em reconhecer que evangélicos não são um bloco homogêneo a ser “capturado” com teorias desconectadas da realidade espiritual institucionalizada  .

O vereador Uner Augusto (PL-MG), representante ativo da bancada evangélica, foi ainda mais contundente na Câmara de Belo Horizonte: classificou o curso como “enganoso” e uma tentativa evidente de “roubar fiéis”. Segundo ele, o cristianismo “não tem dono” e o PT, ao propor essa iniciativa, revela desconhecimento profundo da própria fé que pretende conquistar  . Nos bastidores, críticos ressaltam que estarão menos interessados em teorias acadêmicas ou marxistas com roupagem religiosa do que em testemunhos reais e enraizados no cotidiano de fé comunitária.

A estratégia petista, como alertam diversos analistas, revela-se desconectada da cultura evangélica brasileira. A insistência em discursos acadêmicos e ideologizados, como o uso de teólogas feministas que flertam com correntes religiosas não cristãs, soa distante da maioria dos evangélicos, que buscam liderança, clareza moral e proximidade com valores conservadores. A lição parece clara: não basta elaborar um curso sobre fé, democracia e políticas públicas, é preciso partir da própria vivência religiosa, com honestidade, autenticidade e respeito, se o objetivo é realmente se aproximar e reconstruir pontes com essa comunidade.

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